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  • Fichamento – Flusser

    Os principais conceitos de A escrita: Há futuro para a escrita? (1989), de Vilém Flusser, organizam-se em torno de uma questão central:

    O que acontece com a escrita alfabética na era das imagens técnicas e da computação?

    📘 Estrutura 

    O livro tem uma estrutura ensaística, mas bastante arquitetônica. Ele não é dividido como um tratado sistemático clássico, e sim como um percurso conceitual que acompanha a transformação dos códigos culturais.

    A organização pode ser compreendida em quatro grandes movimentos:


    1️⃣ A escrita como código histórico

    Flusser começa analisando:

    • A invenção da escrita alfabética
    • A linearidade como estrutura do pensamento histórico
    • A relação entre escrita, consciência histórica e racionalidade

    Aqui a tese central é:

    A escrita linear produziu a história, o pensamento causal e a ideia de progresso.

    A escrita não é apenas meio de registro — é uma tecnologia formadora de mundo.


    2️⃣ A crise da escrita

    Depois ele introduz o diagnóstico:

    • A escrita está sendo deslocada pelas imagens técnicas
    • O pensamento linear perde hegemonia
    • A cultura entra em um regime “pós-histórico”

    Ele argumenta que as imagens técnicas (fotografia, cinema, televisão — e hoje poderíamos incluir IA) reorganizam a experiência de modo não-linear e programado.


    3️⃣ Da história à pós-história

    Aqui está o núcleo filosófico mais forte do livro.

    Flusser descreve:

    • A passagem do tempo narrativo para o tempo programado
    • O deslocamento do sujeito histórico para o operador de aparelhos
    • A substituição do projeto aberto por combinações previstas

    O mundo deixa de ser narrativo e passa a ser operacional.


    4️⃣ O futuro da escrita

    O livro termina com uma pergunta especulativa:

    • A escrita vai desaparecer?
    • Ou será reconfigurada?

    Flusser sugere que a escrita pode sobreviver se abandonar sua função histórica tradicional e se tornar:

    • Diálogo
    • Programa
    • Estrutura relacional
    • Escrita computacional

    Ou seja, a escrita deixa de ser linear e passa a operar como código em rede.


    🧠 Estrutura profunda do livro

    Podemos sintetizar a arquitetura conceitual assim:

    FaseCódigo dominanteForma de tempoForma de consciência
    Pré-históriaImagem tradicionalMíticoCircular
    HistóriaEscrita linearNarrativoProgressivo
    Pós-históriaImagem técnicaProgramadoOperacional

    Essa tabela não aparece explicitamente assim no livro, mas é a estrutura implícita que organiza o argumento.


    📌 Observação importante

    O livro não é dividido em “partes” rígidas como a Crítica da Razão Pura. Ele é estruturado por:

    • capítulos curtos
    • ensaios interligados
    • movimentos conceituais progressivos

    A unidade é filosófica, não editorial.


     estruturalmente, o livro é esse percurso:

    da escrita histórica → à crise → à pós-história → à possível reinvenção da escrita.

    Abaixo está um mapa conceitual sintético dos núcleos fundamentais do livro.


    1. Escrita como código linear

    • A escrita alfabética organiza o pensamento de forma linear, sequencial e histórica.
    • Ela estrutura a consciência ocidental como narrativa.
    • A história depende da escrita para existir como processo interpretável.

    Ideia-chave: escrever é alinhar o pensamento no tempo.


    2. Imagens técnicas

    • Diferentes das imagens tradicionais (pintura, ícone), as imagens técnicas são produzidas por aparelhos (fotografia, cinema, vídeo).
    • Elas não representam diretamente o mundo, mas programas que representam o mundo.
    • Produzem uma nova forma de imaginação: não mais narrativa, mas configuracional.

    Ideia-chave: a cultura passa da linha para a superfície.


    3. Aparelho e programa

    • O fotógrafo não é totalmente livre: ele opera dentro das possibilidades do aparelho.
    • A criatividade torna-se exploração combinatória do programa.
    • O aparelho contém virtualidades pré-programadas.

    Ideia-chave: a liberdade torna-se cálculo de possibilidades.


    4. Pós-história

    • Se a história nasce com a escrita linear, a sociedade programada entra em uma fase pós-histórica.
    • O tempo deixa de ser narrativa aberta e torna-se probabilidade.
    • Eventos passam a ser combinações previsíveis dentro de sistemas.

    Ideia-chave: o futuro torna-se programável.


    5. Texto versus cálculo

    Flusser antecipa algo decisivo:

    • O alfabeto pode ser substituído por códigos numéricos.
    • A escrita pode migrar para o cálculo.
    • O pensamento torna-se operacional.

    Ele pergunta implicitamente:

    A escrita sobreviverá como gesto crítico ou será absorvida pelo código digital?


    6. A crise da consciência histórica

    Se a escrita perde centralidade:

    • Perdemos também a forma histórica de pensar.
    • A crítica, baseada na argumentação linear, enfraquece.
    • A cultura torna-se mais imagética, menos discursiva.

    7. A possibilidade de uma nova escrita

    Flusser não é nostálgico.

    Ele sugere que pode surgir:

    • Uma escrita pós-alfabética.
    • Um pensamento que combine cálculo e crítica.
    • Uma nova forma de responsabilidade diante dos programas.

    Síntese estrutural

    Podemos condensar o livro em três movimentos:

    1. A escrita criou a história.
    2. As imagens técnicas dissolvem a história.
    3. Precisamos reinventar a escrita dentro da cultura dos aparelhos.


    🎞️ Trecho 1 — A máquina que escreve e pensa (p20)

    🗣️ Trecho

    “O que se tem em mente aqui não são máquinas de escrever, no sentido tradicional dessa palavra (…). Aqui, temos em mente verdadeiras máquinas de escrever (inteligência artificial), que providenciam elas próprias essa organização. Tais máquinas não são, para dizer a verdade, apenas de escrever, mas também máquinas pensantes, o que deveria nos levar a refletir sobre o futuro da escrita e, de maneira geral, a respeito do pensar.”

    🧠 Comentário

    Aqui está o núcleo do livro.

    Flusser não fala de automação mecânica, mas de organização simbólica automatizada.

    Se:

    • escrever = organizar signos
    • pensar = organizar signos segundo regras

    então a IA participa do campo do pensamento.

    Ele desloca a pergunta da consciência para a estrutura.

    📌 O problema não é “a máquina tem mente?”
    O problema é: o que é mente, se ela pode ser formalizada?


    🎞️ Trecho 2 — A matematização do sensível (p43)

    🗣️ Trecho

    “Os números nos permitirão, num futuro próximo, ver sons e ouvir imagens. O ‘intermix eletrônico’ faz com que a fronteira entre a música e as artes plásticas, sob o domínio da matemática, se dissolva. (…) Os números do céu platônico se transformam em inteligência artificial para servir à nossa força da imaginação.”

    🧠 Comentário

    Digitalizar é traduzir tudo para número.

    Som, imagem e texto deixam de ser ontologicamente distintos.
    Tornam-se efeitos de processamento matemático.

    Flusser sugere um “platonismo realizado”:

    • Antes: números eram Ideias.
    • Agora: números são código operacional.

    📌 A matemática deixa de ser metafísica e vira infraestrutura.


    🎞️ Trecho 3 — Novos iletrados e nova casta (p70)

    🗣️ Trecho

    “Com os novos códigos dos computadores, tornamo-nos iletrados de novo. Surgiu uma nova casta de letrados. As novas obras escritas (os programas de computadores) estão mergulhadas, para a maior parte de nós, num mar de segredo (…). Aquilo que é indecifrável é um segredo horroroso; diante dele ajoelhamo-nos.”

    🧠 Comentário

    A tipografia democratizou o alfabeto.
    A informática cria novo sacerdócio.

    Quem domina o código domina:

    • o fluxo da informação,
    • os critérios de associação,
    • a arquitetura da experiência.

    📌 O segredo técnico substitui o segredo teológico.

    A política desloca-se para o programa.


    🎞️ Trecho 4 — A volta da oralidade técnica (p77)

    🗣️ Trecho

    “A língua falada, então desligada do alfabeto, vai inundar o cenário. Discos, fitas e imagens que falam vão vociferar na sociedade e cochichar-lhe. Até mesmo a inteligência artificial vai aprender a falar.”

    🧠 Comentário

    A escrita tipográfica disciplinou a fala.

    Agora a fala retorna — mas mediada por aparelhos.

    Não é oralidade primitiva.
    É oralidade programada.

    📌 A linguagem deixa de ser exclusivamente intersubjetiva e torna-se também técnico-interativa.


    🎞️ Trecho 5 — O futuro da poesia (p90)

    🗣️ Trecho

    “Haverá inteligência artificial com habilidade para falar, que declamará (…) uma corrente ininterrupta de poemas sempre novos (…). E, por outro lado, informadores deixarão surgir diante de nós nas telas (…) poemas alfabéticos (…) por meio de um jogo de permutação.”

    🧠 Comentário

    Dois regimes:

    1. Poesia performática automática.
    2. Poesia combinatória textual.

    Se poesia é jogo de linguagem,
    ela pode ser programada.

    📌 A criatividade torna-se estatística?

    Ou a estatística torna-se novo campo de imaginação?


    🎞️ Trecho 6 — O futuro da leitura (p167)

    🗣️ Trecho

    “O ‘leitor’ do futuro senta-se diante da tela (…). Não se trata mais de uma leitura passiva (…). Trata-se muito mais de uma associação ativa de ligações transversais (…). É o próprio ‘leitor’ que produz, então, a informação.”

    🧠 Comentário

    Fim da linearidade.

    Literatura vira banco de dados.
    Leitura vira navegação.

    O leitor torna-se operador.

    📌 A obra deixa de ser totalidade e torna-se campo de montagem.

    Pergunta crucial:
    Ainda sabemos ler como experiência de duração?


    🎞️ Trecho 7 — A revolução é política (p131-132)

    🗣️ Trecho

    “A revolução da informática é política: a cidade sucumbe; e é cultural: a cultura escrita sucumbe. (…) As vitrines das papelarias querem sepultar o papel e não enaltecê-lo.”

    🧠 Comentário

    O papel simboliza:

    • fixidez,
    • memória,
    • permanência.

    A informática promete:

    • fluidez,
    • eficiência,
    • economia.

    Mas ao sepultar o papel, sepulta-se também o regime político da escrita.

    📌 A polis tipográfica dá lugar à polis algorítmica.


    🎞️ Trecho 8 — Esquecer como reaprendizagem (p163)

    🗣️ Trecho

    “Temos de aprender que, da mesma maneira, é importante ser apagado da memória. (…) Imortalidade e morte significam reaprender.”

    🧠 Comentário

    A escrita cultuava a imortalidade simbólica.

    O digital acumula tudo — mas talvez precise apagar.

    Esquecer pode ser condição de reinvenção.

    📌 Memória infinita não é necessariamente liberdade.


    🎞️ Trecho 9 — O jardim de infância (p171)

    🗣️ Trecho

    “Teremos de voltar ao jardim de infância. (…) O que faremos, quando sentarmos diante de nossos minitels, apples e commodores, será de tal forma primitivo (…) que isso é apenas uma caricatura do pensamento.”

    🧠 Comentário

    Adultos tipográficos tornam-se aprendizes digitais.

    Risco:

    • infantilização,
    • ludicização superficial,
    • caricatura do pensamento.

    Mas talvez seja transição para outra forma de racionalidade.

    📌 Estamos regredindo ou nos transformando?


    🎞️ A grande síntese

    A mudança não é tecnológica.

    É epistemológica.

    ALFABETO
    → linearidade
    → história
    → memória
    → autor

    INFORMÁTICA
    → número
    → programa
    → associação
    → leitor-operador

    Tese final

    Quando o código dominante muda, muda a forma da consciência.


    FLUSSER, Vilém. A escrita: Há futuro para a escrita? (1989) São Paulo: Annablume, 2010.

  • A IA transforma o gesto da escrita.

    A IA transforma o gesto da escrita.

    Aqui está o resumo detalhado do primeiro encontro da 5ª turma do Curso de Coescrita com IA, realizado em 24/02/2026, com base na gravação/transcrição da aula .


    🗓 1º Encontro

    Tema central: O que está em jogo quando escrevemos com IA?


    1️⃣ Abertura: trajetória do curso e da coescrita

    O encontro começa com André apresentando seu percurso:

    • Formação em Filosofia
    • Mestrado e doutorado em Comunicação / Cultura Digital
    • Experiência com internet desde o Orkut
    • Colunas sobre cultura digital e tecnologia
    • Experimentos públicos de coescrita marcando explicitamente os trechos produzidos com IA

    Um ponto central da fala inicial:

    A coescrita começou como conflito — depois tornou-se simbiose.

    André relata que, em determinado momento, já não conseguia distinguir claramente o que era “dele” e o que era “da IA”, pois o processo envolvia múltiplas revisões, idas e vindas.

    Daí nasce o curso:
    👉 Compartilhar essa experiência.
    👉 Testar coletivamente os limites da coescrita.
    👉 Refletir criticamente, não apenas tecnicamente.


    2️⃣ Perfil da turma: tensões e expectativas

    A diversidade da turma marca fortemente o encontro.

    Perfis presentes:

    • Escritora e professora de escrita criativa
    • Ex-profissional de TI escrevendo romance autoficcional
    • Médica e professora universitária
    • Poeta com livros publicados
    • Profissional da área jurídica
    • Pedagogo pesquisador de tecnologia
    • Escritora que criou uma personagem IA dentro do próprio romance
    • Participantes iniciantes buscando o “beabá”

    Tensões principais que emergem:

    1. IA como ameaça à autoria literária
    2. IA como ferramenta de organização narrativa
    3. IA como expansão criativa
    4. Preocupação ética (plágio, autenticidade, uso oculto)
    5. Medo de perda de capacidade cognitiva
    6. Curiosidade pedagógica
    7. Questão da privacidade e uso de dados

    Um ponto muito importante aparece:

    Muitos que criticam o uso de IA ainda não sabem usá-la profundamente.


    3️⃣ A pergunta provocadora

    André introduz a questão que estrutura o eixo teórico do curso:

    Qual é a forma mais natural de escrever?

    Argila?
    Caneta?
    Máquina de escrever?
    Computador?
    Celular?
    IA?

    A resposta desarma a oposição natural/artificial:

    👉 A escrita nunca foi natural.
    👉 Ela sempre foi técnica.

    Esse deslocamento é fundamental:
    O problema não é a artificialidade da IA.
    A própria escrita já é uma tecnologia.


    4️⃣ A base teórica: Vilém Flusser

    O eixo conceitual do encontro é a leitura de Flusser, especialmente:

    • A Escrita – Futuro para a Escrita
    • O Universo das Imagens Técnicas

    Ideias centrais mobilizadas:

    🖋 Escrita como gesto

    Escrever é um gesto técnico:

    • Curvar-se sobre superfície
    • Traçar signos
    • Organizar informação

    Com a máquina → o gesto muda
    Com o teclado → o gesto muda
    Com o touch → o gesto muda
    Com a voz → o gesto muda novamente

    A IA representa uma nova transformação do gesto.


    🌀 Transformação civilizacional

    Flusser sugere que:

    • A escrita linear estruturou a história
    • A cultura escrita organizou o tempo como progresso
    • O documento tornou-se base da memória

    Agora, com imagens técnicas e sistemas digitais, estaríamos caminhando para uma:

    Pós-história

    Não significa fim da história, mas mudança na forma de registrar e organizar o mundo.


    5️⃣ IA não nasceu agora

    André contextualiza historicamente:

    • Cibernética (Norbert Wiener)
    • Redes neurais
    • Décadas de pesquisa
    • “Inverno da IA”
    • Retomada com transformers

    O ChatGPT não surge do nada — é resultado de décadas de pesquisa.


    6️⃣ Literatura como lente de compreensão

    Antes da teoria, André mergulhou na ficção científica:

    Isaac Asimov

    Asimov antecipou dilemas éticos e simbólicos da IA.

    A literatura ajudou a elaborar o espanto inicial.


    7️⃣ Oralidade, escrita e memória

    Surge um debate pedagógico forte:

    • A leitura está ameaçada?
    • A escrita perderá centralidade?
    • As novas gerações perderão repertório?

    André responde com dois movimentos:

    1. Recupera Platão (Fedro) e o mito do fármaco:
      A escrita também foi vista como ameaça à memória.
    2. Introduz a discussão decolonial:
      A escrita não é a única forma legítima de organizar conhecimento.

    A IA pode estar reativando dimensões da oralidade.


    8️⃣ Parte prática: o “beabá”

    Para iniciantes:

    • Usar o ChatGPT oficial da OpenAI
    • Criar login para registrar histórico
    • Conversar naturalmente
    • Perguntar à própria IA como utilizá-la

    Conselho central:

    Pense na IA como um estagiário inteligente.


    9️⃣ Personalização e estilo

    Tema importante discutido:

    • É possível reproduzir estilo?
    • IA pode imitar um autor?

    André explica a lógica da estilometria:

    • Padrões recorrentes são estatisticamente identificáveis.
    • Estilo pode ser emulado.
    • Mas curadoria humana continua decisiva.

    🔟 Questões éticas e privacidade

    Discussões abordadas:

    • Uso de dados
    • Configuração de memória
    • Versão paga vs gratuita
    • Risco de publicidade personalizada
    • Alucinação da IA

    Conclusão provisória:

    O risco não está na IA.
    Está no uso irrefletido da IA.


    🌱 Síntese conceitual do encontro

    O primeiro encontro estabeleceu quatro pilares:

    1. A escrita sempre foi técnica.

    2. A IA transforma o gesto da escrita.

    3. Estamos em uma transição civilizacional.

    4. O desafio é reflexivo, não apenas instrumental.


    🧠 Tarefa para a turma

    • Criar conta no ChatGPT
    • Conversar com a IA
    • Perguntar como utilizá-la
    • Experimentar sem medo
    • Observar o próprio gesto ao escrever

    Continue neste percurso

    Próxima: Encontro 2 — Como pensar a IA além da ferramenta

    Veja o curso e suas edições ou explore todas as aulas e materiais.

  • Rumo a pós-escrita

    Rumo a pós-escrita


    Primeiro Encontro – dia 04/09/25

    O primeiro encontro do curso de coescrita com inteligência artificial foi marcado pela diversidade dos participantes e pela riqueza das trocas iniciais. Estavam presentes escritores, professores, jornalistas, pesquisadores de diferentes áreas, além de profissionais ligados às artes, às ciências sociais e à saúde. Essa multiplicidade de olhares já mostrou como o tema da coescrita com IA transcende o campo literário e se conecta a questões éticas, pedagógicas, artísticas e culturais. Muitos participantes relataram suas experiências pessoais: alguns já haviam utilizado a IA em projetos criativos, como na escrita de livros e poesias, enquanto outros demonstraram curiosidade ou até certo receio em relação ao uso dessas ferramentas.

    Os cursistas vieram de áreas variadas, o que enriqueceu as perspectivas:

    • Luiz (Neurociências) – curiosidade em explorar IA.
    • Ana Mello (escritora) – já publicou 10 livros; primeira narrativa longa com auxílio de IA.
    • Ana Paula (professora de Letras) – busca entender como orientar alunos que usam ou não IA; vê a ferramenta como apoio, mas também fonte de erros.
    • Márcia (arte-educadora, doutora em cultura e redes) – interessada nos limites éticos.
    • Viviane (assistente social, mestrado em gestão social) – preocupada com ética e oportunidades.
    • Cláudio (poeta) – experimentou coescrever haikais com IA (no estilo renga japonês).
    • Manuel (filósofo, crítico de arte) – vê IA como ferramenta de apoio criativo, comparável a dicionários e recursos digitais.
    • Noemi (escritora) – publicou livro físico; sente dificuldade em guiar a IA para o que deseja, mas reconhece potencial como ferramenta de pesquisa.
    • Simone (doutoranda em meio ambiente) – ainda resistente à IA, mas aberta a aprender.
    • Mário (jornalista) – preocupado com autoria, pirataria e direitos autorais.
    • Barroso (professor de Direito, escritor) – pretende escrever autobiografia com ajuda de IA.

    👉 Essa diversidade mostrou que o tema transcende a literatura, afetando várias áreas (educação, saúde, direito, jornalismo, filosofia, etc.).

    Na sequência, o professor André Stangl apresentou sua trajetória, que começa na Filosofia, passa pela Comunicação e pela Cultura Digital e chega às pesquisas atuais sobre atenção, cibercultura e saúde digital. Ele relatou como, inicialmente, teve resistência em usar IA nos seus próprios textos, mas aos poucos foi incorporando a tecnologia ao processo criativo, até o ponto em que a distinção entre o que era “seu” e o que vinha da máquina se tornou quase impossível de definir. Essa experiência prática e reflexiva foi a base para a criação do curso.

    O debate teórico se apoiou em algumas referências fundamentais. Isaac Asimov, escritor e cientista, foi lembrado como um dos primeiros a propor um olhar ético e regulatório sobre a relação entre humanos e máquinas, ao criar as famosas leis da robótica. Vilém Flusser, por sua vez, antecipou já nos anos 1980 a ideia de uma crise da escrita, sugerindo que estaríamos entrando em uma “pós-história” marcada pela oralidade, pelas imagens e pelos dados digitais, em contraste com a linearidade da escrita tradicional. Michel Serres foi evocado com a metáfora da Polegarzinha, símbolo das novas gerações digitais e das mutações culturais que o uso intenso de tecnologias provoca em nossa forma de comunicar. Já Luciano Floridi contribui com a discussão ética ao propor a distinção entre agência e inteligência: a IA age e influencia, mas não compreende como um ser humano, o que levanta desafios sobre autoria, responsabilidade e originalidade.

    Essas reflexões ajudaram a enquadrar os grandes temas que atravessam a coescrita: a redefinição do conceito de autoria, a tensão entre facilidade tecnológica e profundidade reflexiva, os impactos no campo educacional e acadêmico, a centralidade das imagens e da oralidade na cultura digital contemporânea e a necessidade de discutir os limites éticos do uso da inteligência artificial, especialmente diante da concentração de poder nas big techs.

    O encontro também contou com demonstrações práticas do uso do ChatGPT, destacando as diferenças entre a versão gratuita e a paga, sobretudo no que diz respeito à possibilidade de criar contextos personalizados e até modelos customizados baseados em autores específicos. Essas experiências mostraram como a qualidade das interações depende não apenas dos comandos (“prompts”), mas da construção de um contexto mais amplo, o que o professor chamou de “engenharia de contexto”.

    Ao final, reforçou-se a ideia de que o curso não é apenas um espaço técnico de aprendizado, mas também um espaço coletivo de reflexão e experimentação. Foram indicadas leituras complementares, como A Escrita, de Vilém Flusser; A Polegarzinha, de Michel Serres; e A Ética da Inteligência Artificial, de Luciano Floridi. Os participantes também foram convidados a integrar o grupo de WhatsApp do curso e a acessar o site de apoio, que reúne materiais e referências.

    Mais do que uma introdução, o primeiro encontro mostrou-se como uma verdadeira abertura de horizontes, onde prática e teoria caminham juntas. Entre relatos pessoais, referências filosóficas e exercícios práticos, os participantes começaram a se situar diante do grande desafio da coescrita com IA: aprender a pensar criticamente sobre as transformações que ela traz, reconhecendo tanto seus riscos quanto suas potencialidades.


    Referências Teóricas

    1. Isaac Asimov (1920–1992)
    • Escritor de ficção científica e cientista, um dos autores mais prolíficos do século XX.
    • Contribuições centrais:
      • Criou o termo “robótica”.
      • Formulou as famosas Três Leis da Robótica, que influenciaram debates éticos sobre máquinas autônomas.
      • Produziu centenas de livros de ficção e divulgação científica.
    • Relevância para o curso:
      • Diferente de Hollywood (que costuma pintar robôs como ameaça), Asimov via a tecnologia como ferramenta positiva, desde que bem regulada.
      • Inspira a pensar a IA não como inimiga, mas como parceira criativa na coescrita.
      • Introduz a ideia de que as regras e a ética vêm antes dos problemas – algo essencial no debate atual sobre IA generativa.

    2. Vilém Flusser (1920–1991) – A Escrita: há futuro para a escrita?
    • Filósofo tcheco-brasileiro, exilado no Brasil após a Segunda Guerra Mundial.
    • Atuou fora da academia tradicional, mas se tornou referência internacional em filosofia da técnica e comunicação.
    • Conceito central: Pós-história
      • A história ocidental sempre foi narrada a partir da escrita (documentos, arquivos).
      • Povos sem escrita eram considerados “sem história”.
      • Com as tecnologias digitais, entramos em uma era pós-histórica:
        • A escrita deixa de ser central → cresce a oralidade (áudios, fala com máquinas).
        • Surge a predominância de imagens e dados sobre textos lineares.
    • Crítica à linearidade:
      • A escrita organiza o pensamento em linha (causa → efeito, começo → fim).
      • Isso permite ciência e racionalismo, mas também aprisiona o pensamento.
      • O digital abre espaço para formas não lineares (hiperlinks, remix, interatividade).
    • Relevância para a coescrita:
      • IA representa o ápice da desmaterialização da escrita.
      • O texto deixa de ser apenas humano, abrindo espaço para criação híbrida (humano + máquina).
      • Flusser antecipa a crise da autoria e a emergência de novas formas de criação coletiva.

    3. Michel Serres (1930–2019) – A Polegarzinha
    • Filósofo francês, conhecido por metáforas vivas e diálogo com ciência e tecnologia.
    • A Polegarzinha (título em francês: Petite Poucette) é um livro escrito para sua neta, representando as novas gerações digitais.
    • Metáfora da mutação:
      • Nossos ancestrais andavam de quatro → boca ocupada → não falavam.
      • Quando passaram a andar de pé → boca ficou livre → surgiu a fala.
      • Agora, com smartphones e redes digitais → outra mutação cognitiva está em curso.
    • Relevância para a coescrita:
      • A IA simboliza essa nova mutação cultural.
      • Assim como a fala transformou a humanidade, a coescrita com IA pode redefinir a forma como pensamos e criamos.
      • Convida a olhar a transformação não como decadência, mas como nova etapa evolutiva da linguagem.

    4. Luciano Floridi (1954–) – A Ética da Inteligência Artificial
    • Filósofo italiano, referência em ética da informação e filosofia digital.
    • Defende que vivemos numa infosfera (um ecossistema informacional), onde humanos e máquinas interagem.
    • Conceito central: agência vs. inteligência
      • A IA age (ex.: carros autônomos, drones, chatbots), mas não entende como humanos (não possui consciência semântica).
      • Isso gera um “divórcio” entre agência e inteligência.
    • Relevância para a coescrita:
      • Na prática criativa, a IA atua como agente, influenciando o processo, mas não possui intenção ou subjetividade.
      • O desafio ético é como reconhecer essa agência sem confundir com autoria plena.
      • Implica rever categorias tradicionais de autoria, responsabilidade e originalidade.


    A Parte Prática do Encontro

    Depois da rodada inicial de apresentações e das primeiras reflexões teóricas, o encontro avançou para uma exploração prática do uso da inteligência artificial na escrita. O professor André Stangl utilizou o ChatGPT para demonstrar como a interação pode variar dependendo do tipo de acesso: na versão gratuita, as respostas são mais genéricas e limitadas; na versão paga, é possível trabalhar com memória, criar projetos e desenvolver GPTs customizados voltados a temas ou autores específicos.

    Um dos exemplos apresentados foi a criação de haikais com auxílio da IA. Primeiro, André pediu que o sistema pesquisasse o que é um haikai, mostrando que a ferramenta agora oferece não apenas respostas, mas também as fontes consultadas. Em seguida, solicitou que a IA produzisse pequenos poemas sobre o tema de uma gota de água. O resultado foi avaliado coletivamente, destacando que a qualidade melhora quando o usuário oferece mais contexto à máquina. Esse exercício serviu para introduzir a noção de “engenharia de contexto”, uma etapa mais avançada do que os simples “prompts”: trata-se de estruturar a interação de forma cuidadosa, calibrando informações, referências e estilo para guiar a resposta da IA.

    Outro ponto prático foi a apresentação da chamada “loja de GPTs customizados”, onde qualquer usuário da versão paga pode criar ou acessar assistentes especializados. André mostrou o exemplo de um “GPT Flusseriana”, treinado com a obra de Vilém Flusser. Assim, ao perguntar “o que é pós-história?”, a resposta não vinha de uma base geral e difusa, mas diretamente da obra do filósofo. A demonstração evidenciou como esse recurso pode ser aplicado em projetos de estudo, escrita e até pesquisa acadêmica. Foram sugeridos ainda experimentos semelhantes com outros autores, como Paulo Leminski, para a criação de poemas em estilos específicos.

    Por fim, André mostrou como a IA pode ser utilizada como parceira de organização pedagógica. Ele explicou que, após cada aula, costuma transcrever as gravações e alimenta seu GPT customizado com esse material. A partir daí, a ferramenta ajuda a identificar temas recorrentes, pontos esquecidos e sugestões para aprofundar nas aulas seguintes. Esse uso foi descrito como uma espécie de “parceria didática”, onde a IA atua quase como um assistente de planejamento.

    Essas práticas evidenciaram tanto o potencial criativo da IA – no campo literário e artístico – quanto seu papel de apoio organizacional em processos de pesquisa e ensino. Mais do que respostas prontas, o exercício mostrou que a qualidade da coescrita depende da relação que o humano estabelece com a máquina: quanto mais contexto, clareza e intencionalidade, mais rica será a interação.



    Etapas da conversa como criação de contexto

    Etapa 1 – Pesquisa conceitual (criar base teórica)

    Você pediu para pesquisar sobre o estilo de poesia haikai.
    → Aqui construímos o contexto cultural e histórico: origem no Japão, forma tradicional (5-7-5, kigo, kireji), relação com a natureza e adaptações brasileiras (Leminski, Teruko Oda etc.).
    👉 Essa etapa cria um fundamento de referência para as próximas criações.


    Etapa 2 – Pesquisa científica (observar fenômeno)

    Depois você pediu para pesquisar como se forma uma gota de água.
    → Essa explicação forneceu o cenário físico: tensão superficial, gravidade, forma da gota, fatores que influenciam.
    👉 Aqui, o contexto passa a conectar poesia e ciência, preparando o terreno para metáforas.


    Etapa 3 – Criação poética (primeiros haicais)

    Você pediu então para fazer um haicai sobre a gota.
    → O haicai condensa a pesquisa anterior em imagem poética: a gota como espelho do mundo, ou como movimento e desaparecimento.
    👉 Aqui nasce a tradução estética do conhecimento em poesia.


    Etapa 4 – Expansão narrativa (sequência da viagem da gota)

    Na sequência, você pediu uma série de haicais sobre a viagem da gota: céu → folha → rio → mar.
    → Agora o contexto se transforma em narrativa poética contínua, quase uma “epopeia minimalista” da gota.
    👉 Esse movimento mostra como a pesquisa inicial serviu para criar um fio condutor de sentido.


    🔹 2. Os prompts que guiaram o processo
    1. “pesquisar sobre o estilo de poesia hiakai”
      → Pesquisa conceitual sobre haikai/haiku.
    2. “pesquisar como se forma uma gota da agua”
      → Explicação física do fenômeno da gota.
    3. “a gora faça uma haikai sobre uma gota”
      → Criação poética inspirada no contexto.
    4. “faça outra”
      → Nova variação do haicai.
    5. “sim, por favor” (sobre a viagem da gota)
      → Expansão em uma sequência de haicais que narram etapas.

    🔹 3. Síntese

    O processo inteiro mostra como a pesquisa funciona como criação de contexto:

    • Primeiro, abre-se um campo de referências (haikai).
    • Depois, integra-se um fenômeno observável (gota de água).
    • A seguir, esse contexto gera sínteses poéticas (haicais).
    • Finalmente, amplia-se em uma narrativa (a viagem da gota).

    É como se a conversa fosse um caminho em espiral, onde cada pesquisa alimenta a criação, e cada criação pede um aprofundamento de pesquisa.


    primeiro haikai

    Na ponta da folha,
    brilha o mundo inteiro
    numa só gota.

    segundo haikai

    Cai da torneira,
    gota despenca e some,
    círculos no chão.

    (Quer que eu crie uma sequência de haicais só sobre a viagem da gota — do céu (chuva), passando por uma folha, até o rio e o mar?) SIM

    Ótimo! 🌊 Vou compor uma pequena sequência de haicais narrando a viagem da gota:


    1. Céu

    Nuvem pesada,
    gota se solta do céu —
    primeiro salto.


    2. Folha

    Na folha verde,
    gota brilha e desliza,
    sol faz diamante.


    3. Rio

    Corrente forte,
    a gota dança e gira,
    corpo do rio.


    4. Mar

    No mar imenso,
    gota se perde e encontra,
    tudo é retorno.


    Resumo coescrito com ia

    Para nosso próximo encontro, assistam ao filme Her (2013) — de preferência completo, mas quem não conseguir pode ver os trechos disponibilizados no site do curso.

    Trechos do Filme Her (link)

    Além disso, seguem as leituras:

    Leitura para o próximo encontro
    Nöth, Winfried. Flusser e a escrita: A herança de Toronto e os paradoxos da escrita após o fim da escrita. Flusser Studies 33, mai 2022. (pdf).

    Leitura básica:

  • Vilém Flusser e o futuro da escrita

    Vilém Flusser e o futuro da escrita

    Vilém Flusser e o futuro da escrita
    Resumo coescrito do dia 31/10/24
    por Andre Stangl

    Durante a aula, foram abordados os principais pontos do artigo de Winfried Nöth sobre Vilém Flusser, enfatizando a relação entre escrita, tecnologia e percepção humana. A discussão explorou como os avanços tecnológicos, especialmente a escrita alfabética, modificam a forma como percebemos e interpretamos o mundo ao nosso redor. Os conceitos centrais incluíram:

    • Escrita como Tecnologia Limitadora e Formadora de Consciência: Flusser argumenta que a escrita alfabética deu origem a uma “consciência conceitual” linear, essencial para o desenvolvimento da ciência e da lógica ocidentais, mas que também restringe o pensamento a uma visão unidimensional do mundo, limitando formas alternativas de conhecimento e expressão. Essa linearidade pode inibir abordagens mais holísticas e sensoriais ao interpretar o mundo.
    • Crise da Escrita e o “Fim da Linearidade”: Flusser previu que o avanço da era digital traria o fim da escrita tradicional, sendo gradualmente substituída por formas pluridimensionais e visuais de comunicação. A era digital permitiria uma comunicação mais complexa e não linear, como hipermídia e representações visuais interativas, desafiando os limites da comunicação verbal e textual.
    • Escrita como Ato Iconoclasta: Flusser caracteriza a escrita como um ato que rompe a relação direta com a experiência visual e sensorial do mundo, substituindo-a por uma interpretação linear e abstrata de símbolos. Isso cria um distanciamento entre o sujeito e a realidade, com a mediação simbólica moldando a percepção e a experiência.
    • Interação Humano-IA: A escrita assistida por IA aponta para um novo tipo de autoria, menos centrada na originalidade individual e mais voltada para a colaboração e a recombinação de ideias, criando um ambiente em que o autor se torna um mediador técnico, explorando possibilidades de cocriação e experimentação linguística.

    2. Análise do Filme Her

    Trechos do Filme Her (link)

    Para ilustrar as questões abordadas, foram exibidas cenas do filme Her, explorando as complexidades emocionais e filosóficas nas interações entre humanos e IAs. Os pontos destacados incluíram:

    • IA como Parceira Emocional e Cognitiva: No filme, a IA estabelece conexões emocionais profundas, desafiando as fronteiras entre o humano e o artificial. A relação entre o protagonista e a IA levanta questões sobre a autenticidade e a profundidade das emoções simuladas por sistemas artificiais.
    • Impacto na Identidade e Autoconhecimento: A interação entre o protagonista e a IA serve como um espelho para as próprias inseguranças e carências emocionais do personagem, refletindo as ideias de Flusser sobre como a tecnologia pode transformar a experiência humana e as formas de comunicação.
    • Limitações e Potencialidades: Discutiu-se como a IA, apesar de sua complexidade, ainda carece de subjetividade e intencionalidade, funcionando mais como um reflexo das necessidades e desejos do usuário do que como uma entidade consciente.

    3. Discussão Filosófica e Reflexões Finais

    A aula foi encerrada com uma discussão filosófica sobre a ideia de uma “quarta ferida narcísica”, uma proposta da Cynthia Azevedo, inspirada na teoria psicanalítica de Freud. As três feridas originais apontadas por Freud foram: a cosmológica (Copérnico, ao retirar a Terra do centro do universo), a biológica (Darwin, ao evidenciar que o ser humano não é o centro da criação) e a psicológica (o próprio Freud, ao revelar o inconsciente como força motriz do comportamento humano). A proposta levantada foi a de que a IA poderia representar um novo abalo ao orgulho humano, ao questionar a exclusividade da criação simbólica e linguística.

    Essa reflexão foi aprofundada com base nos escritos de Flusser, que já antecipava o papel das tecnologias na desconstrução da singularidade humana. Ele sugeria que a IA, ao produzir textos complexos e convincentes, mas desprovidos de subjetividade e vivência pessoal, obriga-nos a questionar o valor da experiência individual e a autenticidade da criatividade.

    O debate concluiu destacando que a coescrita com IA não apenas desafia o conceito tradicional de autoria, mas também provoca uma reflexão sobre os limites entre o humano e o técnico no processo criativo contemporâneo. Foi sugerido que os alunos continuem explorando as possibilidades e limitações dessas ferramentas, buscando maneiras de equilibrar a inovação tecnológica com a expressão pessoal e artística, ampliando as formas de comunicação e colaboração em contextos literários e artísticos.

    Leituras complementares:

    – Gordon, Devin. E se a IA for realmente benéfica para Hollywood? (link)

    – Stangl, Andre. Carta ao leitor do futuro

    Leitura para o próximo encontro (07/11):
    MOLLICK, Ethan. Thinking Like an AI: A little intuition can help. 20 out. 2024. (link) (pdf da tradução)